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Economista, Administrador, Analista de Sistemas e Pensador (forcei). Meu suporte está em Deus que me elegeu na eternidade como Seu filho sem nenhum mérito para mim, na minha esposa Verônica e meus filhos, os manos Accete, Raphael, Philipi e Victor. Amo a Deus sobre tudo. Mas não posso esquecer que sou Flamengo e tenho duas negas chamadas Penelope e Joaquina, a galega doida Lara Croft e a mulambo de estopa, Cocada.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pragmatismo



O Pragmatismo constitui uma escola de filosofia estabelecida no final do século XIX, com origem no Metaphysical Club, um grupo de especulação filosófica liderado pelo lógico Charles Sanders Peirce, pelo psicólogo William James e pelo jurista Oliver Wendell Holmes, Jr., congregando em seguida acadêmicos importantes dos Estados Unidos.

Segundo essa doutrina metafísica, o sentido de uma ideia corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos.



Por natureza, sou uma pessoa muito prática. Fico incomodado com frases pouco esclarecedoras sobre o que se quer.

Tenho lido muito sobre a necessidade de se mudar tudo que aí está. Gostaria mesmo de saber o que é o Isso Tudo Aí.

Estamos de fato falando de que? E vejo o pessoal mais radical da chamada esquerda, auto intitulados prpogressistas usarem muito a expressão de romper com o modelo atual.

Colocando os pingos nos iiiiiiiiii, queria de fato saber a qual modelo se referem de maniera prática.

Estamos falando de troca de todos os políticos? Um tanto quanto utópico. Ou estamos falando de algo mais profundo que os ditos progressistas preferem omitir.

Porque se estamos falando da chamada democracia direta , estamos falando de anarquia, ou ainda falando da ditadura dos sindicatos. Ou seja daqueles que conseguirem fazer mais barulho.

Nunca existiu no mundo, nem existe hoje democracia que não seja representativa. Ou temos ditaduras ou democracias representativas no mundo inteiro. Esse supostamente possível ideal marxista é uma tolice que nunca foi implementada nem nos países onde se adotaram os ideais comunistas.

E se estamos falando de socialismo marxista, devemos ser honestos e falar claramente, sem meias palavras, e um vergonha estratégica.

Eu pessoalmente protesto de forma bem pragmática por:

1. Não a limitação do trabalho do MP;
2. Não a limitação do poder do STF;
3. Não a ditadura dos sindicatos, não me interessando o perfil deles;
4. Sim ao voto distrital;
5. Sim a responsabilização dos gestores públicos com seus bens por casos de improbidade administrativa e desvio de recursos;
6. Sim ao fim da estabilidade no emprego público, e remuneração baseada em resultados mensuráveis e transparentes;
7. Sim ao fim da reeleição em todos os níveis de cargos majoritários; Incluindo o saio mas volto já.
8. Sim ao fim do voto secreto no congresso para todos os assuntos;
9. Sim a limitação dos governantes de criarem ministérios e secretárias sem justificativa e aprovação no congresso e assembléias;
10. Sim ao fim da camera de vereadores com vereadores remunerados em municípios com menos de 200 mil habitantes, sendo substituída por um conselho fiscal e um conselho gestor não remunerado;


Poderia listas mais algumas, posso debate-las, vejam que nenhuma das minhas propostas aumenta um centavo sequer de despesa pública, pelo contrário, algumas até diminuem. Notem ainda que, não falei em nenhum plano de reduzir os planos assistenciais que hoje existem.

Pois desafio que as reivindicações dos chamados progressistas seja feita assim de forma clara.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Como decifrar o gênio e ou colocá-lo de volta na garrafa?



Sobre as manifestações que tem acontecido, e tanto tem sido escrito nas redes sociais, gostaria de tecer alguns comentários mais detalhados sobre o que penso a respeito.

Sou a favor de toda e qualquer manifestação pacífica reivindicando o que quer que seja, justo ou não, concordando ou não. Não me interessa o que se pede, acho que numa democracia todos tem o direito de pedir o que entenderem ser necessário.

Desde já reafirmo o apoio a protestos pacíficos. Nós não vivemos mais numa ditadura em que a repressão e as manifestações mais violentas eram o único caminho. Se os 200 milhões de brasileiros quiserem fazer uma corrente de mãos dadas e cantar o hino nacional, estou dentro, mas quebrar qualquer coisa que seja, queimar nossa bandeira, ou impedir o direito de ir e vir das pessoas estou fora, e sempre estarei, numa democracia. Minha juventude engajada é da época que governador e prefeitos de capital eram escolhidos e não eleitos.

Posto que sou contra qualquer violência, acho no entanto que é ingênuo acreditar que numa passeata de dezenas de milhares de pessoas não ocorram exageros, como também acho ingênuo ou mesmo cínico achar que um policial numa relação de 1 policial para 100 manifestantes vá pedir por favor para o sujeito parar de jogar pedras.

Nunca fui militante de nada, mesmo porque costumo pensar fora do senso comum, e mais, detesto ser patrulhado em qualquer nível, política, religião, o que for. Mas tive meus momentos, fechar o trânsito na BR 104 em Maceió, enfrentar sozinho um PM que estava abusando de sua autoridade, recusar ser revistado por uma blitz sem que fosse apresentado qualquer razão para isso. Ter repreendido a polícia que gritava com meu filho de 10 anos, e outras. Já vaiei governador, prefeito, reitor. Já discuti e deixei em resposta diretor de colégio. E farei tudo de novo se entender que seja necessário.

Sobre o atual movimento vejo algumas questões que não são de fácil resposta, mesmo que os sociólogos, antropólogos, psicólogos e outrosqualquerólogos que existam estejam cheios de suas certezas respondendo a tudo.

Um movimento que começou de forma absolutamente limitada do ponto de vista numérico e debaixo de um teor claramente político ideológico partidário, está tomando uma dimensão que ninguém, nem governo, nem oposição imaginavam a princípio. Uma das tolices que tenho visto e ouvido é a associação entre a estrondosa vaia a Dilma na abertura da copa das confederações como ponta de lança do movimento. Não foi. Também a questão dos R$ 0,20 do ônibus não é a razão de tanto barulho.

Qual a razão? Também não sei. Mas fica claro que há uma insatisfação generalizada contra TUDO QUE ESTÁ AÍ. E é exatamente aí que não vejo ainda no que esse burburinho todo vai dar. Querer comparar esses protestos a Primavera Árabe, até me assustaria se isso não fosse uma falácia despropositada. Primeiro que a Primavera Árabe tem se mostrado uma tosca metonímia onde se troca seis por meia dúzia, ou até menos. Segundo porque não vivemos nada parecido em termos de repressão como se vive lá.

O que estamos vendo é uma verbalização de descontentamento que tem unido no mesmo protesto, os "esquerdistas progressistas" e os "direitistas conservadores". Ambos os lados já começaram a reivindicar sua proeminência nas manifestações. Um amigo comentou o fato, no qual concordo quase que totalmente, que o Brasil de fato tem sido governado pelo centro, independente de quem seja o Presidente. Só discordo dele, quando ele cita o centro como sendo algo de mau em si mesmo. Mas porque isso acontece? Porque meu caro amigo, eu e você podemos até votar ideologicamente a nível nacional, mas no local costumamos decidir fisiologicamente. Decidimos não por acreditar ou não em ideias e ideais e sim pelo benefício imediato, e pessoal, que podemos ter.

Não acredito que um movimento sem direcionamento como este, CONTRA TUDO E CONTRA TODOS tenha sucesso ou um futuro benéfico. Quem vai conseguir cooptar o maior número de protestantes não sei. Tenho amigos que já vislumbram um impeachment de Dilma, Não vejo por aí, e nem sou a favor disso, defendo a retirada dessa turma do poder, mas no voto. Outros amigos estão vislumbrando a derrocada final da classe média brasileira, seja lá o que for isso. Todos vislumbram a expulsão da corja de políticos corruptos. Mas esquecem estes que a corrupção não é privilégio e direito dos deputados, senadores, ministros e presidente.

Mantendo-nos no âmbito público, quantos órgãos vocês conhecem onde há desvio de dinheiro. Hospitais onde médicos recebem sem trabalhar? Escolas onde o custo da merenda daria para servir café, almoço e jantar de resort, e é servido cachorro quente com carne de segunda? Obras e mais obras que não acabam nunca?

No âmbito privado, quantos de nós jogam lixo na rua? Querem um emprego público só para receber sem trabalhar? Conseguimos uma vaga para um parente na base da amizade? Temos carteira de estudante sem o sê-lo? Colamos nas provas que fazemos? Furamos filas? Damos migué no trabalho? Acha que isso não é corrupção? É muito bonito falar dos outros, ou citar a Suíça como exemplo. Mas vá explicar a um suíço porque no Brasil tem que ter cobrador e catraca nos transporte público. (Nós sabemos que se não colocar ninguém paga por aqui).

Acho que este movimento é legítimo na sua maior parte, nem de longe discordo disso, só não acredito, pelo menos por enquanto, que isso vá ter qualquer repercussão na forma de agir dos governantes desse país, a não ser ações pontuais oportunistas e eleitoreiras como a tomada hoje por Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Falta uma liderança e mesmo um foco mais claro do que se propõe.

Alguns estão muito emocionados ao ver o povo em cima do teto do congresso, mas não é a primeira vez que isso ocorre, e que me lembre apenas o movimento Diretas Já, conseguiu algo de fato. Pode-se até não gostar dos nomes, mas havia um direcionamento e uma liderança, Teotônio, Ulysses, Tancredo, mesmo Lula e FHC estavam juntos lá. Não esqueçamos de Fafá é claro.

Portanto, sei que algo está acontecendo, só não consigo ter a convicção que alguns já tem, de em que isso dará, nem tampouco acho que tenha surgido do nada. Vejo muito claramente que esse desejo de sair ocupando tudo vem sendo fomentado há alguns anos, só que, os que o fomentavam acreditavam que poderiam por o gênio de volta na garrafa quando quisessem, e mesmo guiá-lo de acordo com seus desejos e talvez estejam descobrindo tarde que, só pão e circo não sejam suficientes para fazer o gênio voltar para a lâmpada.








domingo, 16 de junho de 2013

UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUH! Faz Parte do Jogo Democrático.




Achei muito engraçado ontem diversas manifestações de repúdio as vaias no Mané Garrincha, quase todas usando o mesmo discurso de que o Brasil foi envergonhado.

Mesmo que considere esse argumento sincero, o que não acho, já que a maioria dessas mesmas pessoas em algum momento de suas vidas acharam lindo outras vaias, como por exemplo no caso da Yoani, e olhe que no caso da Yoani ninguém era obrigado a ouvir a sua voz caso não quisesse, e ontem foram obrigados a ouvir, eu vejo esse argumento como aquele cara que não tem onde cair morto mas quer ter um vida de aparente luxo para que os outros tenham uma boa imagem de si.

Óbvio que o público no Mané Garrincha não vaiou integralmente. Óbvio que o público ali não representa um extrato da população brasileira. Óbvio que a popularidade de Dilma continua muito alta, mesmo que caindo regularmente. Mas óbvio também que as pessoas que não concordam com ela tem o direito de vaia-la como qualquer figura pública. Se até a rainha da Inglaterra já foi vaiada, porque direito especial Dilma não poderia.

Alegar falta de educação do povo que vaiou é mais um estelionato dos chamados progressistas, que aliás se valem exatamente da falta de educação do povo, assim como faziam as mesmas chamadas elites que eles combatiam.

O povo, em qualquer extrato social tem o direito de se manifestar, desde que de forma pacífica. Isso é Democracia. E só.

Acho que os protestos só fazem sentido se levados até as urnas. Quando apenas restritos a vaias e posts no facebook são muito pouco.

Protesto, pacífico, é bom e faz muito bem a democracia.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

DEDUÇÕES LÓGICAS - Ou como um imbecil pensa que é um sábio.



Conta-se uma historinha mais ou menos assim:

Dois amigos se encontram numa viagem de ônibus e um deles trás a mão um livro de título Método das Deduções Lógicas. O outro amigo curioso pergunta:

-       Do que trata esse livro?
-       Com ele nós aprendemos a descobrir coisas sobre as pessoas através de perguntas, deduzimos logicamente a partir das respostas a personalidade do outro.
-       É mesmo, como funciona?
-       Vou fazer um teste com você. – E começou a perguntar:
-       Voce tem um aquário?
-       Tenho.
-       Então você gosta de peixes. Voce brinca com animais?
-       Sim.
-       Então você gosta de bichos de estimação. Voce gosta de crianças?
-       Sim.
-       Hum. Voce tem filhos?
-       Sim, dois.
-       Ah! Voce é casado?
-       Sim.
-       Então você não é gay.
-       Isso mesmo, não sou.
-       Viu, através de perguntas eu cheguei a essa conclusão.
-       Bacana. Posso tentar? – perguntou o outro.
-       Claro.
-       Voce tem um aquário?
-       Não.
-       Então você é Gay.

Estamos vivendo num mundo de deduções lógicas. Se você acha que não se enquadra nessa categoria veja as questões abaixo e veja se você realmente é alguém que pensa.

Pergunta
Resposta
Dedução Lógica
Você gostaria que seu filho fosse homossexual
 Não
 Então você é homofóbico.
Voce é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo
 Não
 Então você é homofóbico.
Voce é favor do aborto em qualquer situação
 Não
 Então você é um fundamentalista religioso.
Voce acha que os atos de corrupção do governo devem ser apurados
 Sim
 Então Você é um reacionário da maldita direita.
Voce aprova o quebra-quebra das manifestações
 Não
 Então você é um apoiador da violência militar.
Voce critica o recebimento do bolsa família por quem não precisa
 Sim
 Então você é um rico mimado que quer todo o dinheiro só para si.
Voce é contra a legalização da maconha
 Não
 Voce é um traficante que se beneficia do mercado ilegal.
Voce estudou, e consegui um emprego que não é de salario mínimo
 Sim
 Voce faz parte da odiosa classe média burguesa retrógrada alienada e alienalizante.
Voce apoia o ideário comunista
Não
Então você faz parte da Zelite mesmo que trabalhe todo dia de 08 às 18 para botar comida em casa.
Voce é contra cotas?
Sim
Então você quer perpetuar a desigualdade.

Muitos podem se especializar nessa atividade das Deduções Lógicas e acrescentar suas idéias.


E vamos acirrando os ânimos até que o Brasil se torne de fato em uma Venezuela Bolivariana.

Confrontando ideias e não pessoas




Dei de cara com um post no facebook e resolvi escrever algo a respeito, não pelo post em si, mas porque tenho ouvido algumas manifestações similares aqui e ali.

Pois bem, antes de tudo deixe-me qualificar para o debate, já que como a autora da peça coloca num de seus itens só pode participar do debate de forma isenta quem conhece a realidade na carne. Pressuponho que ela tenha pelo menos em parte de sua vida vivenciado essa realidade também, mesmo que ela se contradiga num outro item, mas talvez seja uma posição ideológica, já que se for a favor pode participar mesmo sem conhecer a realidade, se for contra e não vivenciou a realidade é porque é reacionário.

Mas vamos lá. Porque me acho qualificado para o debate. Nasci numa família pobre, não miserável, pobre. Não, nunca passei fome. Pelo menos um pão com margarina e café com leite sempre teve lá em casa. Meu pai, seu Aldo, um taxista, e minha mãe, dona Alice, uma costureira, sempre trabalharam muito para colocar comida em casa. Lembro com orgulho do esforço de minha mãe em virar muitas vezes 72 horas no ar no mês de dezembro para atender as várias freguesas. E do fato de raramente poder ter meu pai em casa em feriados e fins de semana, porque é nesses dias em que taxistas mais faturam. Estudei em escola particular graças a uma bolsa de estudo, e a uma tia que comprava meus livros. Na minha infância pizza era uma coisa que fazíamos em casa comprando aquelas caixinhas. Almoços e jantares fora de casa, eram raridade, uma dúzia por ano. De ônibus conheço muito, meu primeiro carro, conquistei aos 27 anos, 3 anos depois de formado, uma Parati com 12 anos de uso, enferrujada e que parava de funcionar toda vez que o motor esquentava. Fruto de 6 meses dando aula a noite até às 22:00 e nos sábados muitas vezes. Isso depois de trabalhar o dia inteiro em outro lugar. O segundo já foi um luxo, um Prêmio quatro portas com 8 anos de uso. Falando em moradia, fui criado em Maceió, num conjunto habitacional, um prédio caixão, construído a época no meio do mato. Depois de casado morei de favor num apertamento de cerca de 45 m2  também um conjunto habitacional do SFH no qual faltava água com alguma frequência e eu tinha que subir com garrafões de água 5 lances de escada porque o elevador vivia quebrando. Para comprar meu primeiro apartamento financiado pela Caixa, contei com a ajuda de meu sogro. Hoje graças a Deus e ao meu trabalho, tenho uma casa própria, um carro um pouco mais confortável, e a alguns outros confortos. Mas acho que estou qualificado pela minha história a participar do debate.
Ah! Tem mais uma coisa, já participei de protestos coletivos, e individuais, os quais considero muito mais corajosos. Já desafiei a PM pessoalmente, e sem nenhuma turba me acompanhando para que pudesse me esconder, por uma questão de justiça.

De tudo que tenho lido e visto sobre os protestos em SP e no RJ sobre o aumento das passagens, tiro algumas conclusões:

A)    Toda protesto é legítimo, é um direito inerente à cidadania, mesmo que dele faça parte alguém que não tenha sido diretamente atingido por alguma ação/omissão governamental, o que, diga-se de passagem, é mais raro, porém muito mais nobre. Pensemos no exemplo de alguém que se locomove de carro, mas pode estar participando dos protestos para defender direitos de pessoas menos favorecidas. Assim, todos, absolutamente todos, têm o direito de protestar por algo que entendem indevido.

Existem protestos legítimos e ilegítimos como qualquer outra coisa na vida. De fato protestar é um direito inerente a cidadania e permitido nos estados democráticos, já que nas várias ditaduras existentes pelo mundo este direito é vedado. Participar de um protesto mesmo sem ser diretamente afetado pela causa demonstra que a pessoa não vive alienada do mundo ao seu redor, porém denota também um arcabouço ideológico por trás disso. E aqui não estou emitindo um juízo sobre ideologia. Ela não é boa, nem ruim em si mesmo. O que é muitas vezes questionável é como nos envolvemos e o uso que fazemos dela.

B)    É difícil imaginar que milhares de pessoas estejam nas ruas sujeitas a balas de borracha, gás lacrimogênio e spray de pimenta se não estivessem se sentindo realmente desrespeitadas e vilipendiadas pelas humilhantes condições enfrentadas diariamente no transporte público  e, como se não bastasse, por ainda terem que suportar um aumento que julgam indevido e que repercute substancialmente nos seus ganhos salariais.

Essa afirmação em parte contradiz a anterior, já que a primeira identifica a participação de pessoas que estão lá apenas para defender o direito dos outros. E é inegável que muitos protestos de fato escondem outras motivações por trás do tema apresentado.

C)    Quem não se utiliza do transporte público não tem como julgar o mérito dos protestos de quem o faz, nem tampouco julgar que o aumento foi insignificante (ah, só por causa de R$ 0,20 centavos??), principalmente se não tem que pagar várias passagens por dia e não é obrigado a viver com um salário mínimo por mês.

Aqui está posta a verve ideológica da coisa. Vamos por partes. Considerando que a pessoa tenha que usar o transporte duas vezes por dia, considerando uma família de 4 pessoas, e considerando os 30 dias do mês, estaremos falando de R$ 48 a mais por mês. Para quem recebe R$ 678 é muito sim, representa 7%. Mesmo considerando que em São Paulo o salario da maioria ultrapassa os R$ 1000, ainda assim é muito. O que acho esquisito é que não haja um protesto similar pelo caos da saúde pública, que faz boa parte desse mesmo grupo, gastar mais de R$ 100/mes com atendimento médico. Não haja protesto similar pelo descaso com a educação pública que faz os que ainda conseguem gastarem dinheiro com o ensino privado de qualidade também duvidosa. E como uma das causas primárias de tudo isso, não vemos, essa turma se envolver em protestos contra os envolvidos em corrupção, pelo contrário, em Pernambuco onde moro, Inocêncios são reeleitos com uma desfaçatez ignóbil. Os nossos nobres citados no item A, são bem seletivos em seus protestos. Vivemos num estado capitalista e democrático, onde as empresas existem para ganhar dinheiro, cabe ao estado concedente do serviço fiscalizar a qualidade e inibir os abusos, mas as empresas existem para ganhar dinheiro para seus proprietários.


D)   Em qualquer protesto, sobretudo aqueles que contam com milhares de pessoas, sempre haverá excessos e se afigura injusto intitular todos os manifestantes de vândalos. Qualquer pessoa sabe que é impossível controlar a atitude de todos os participantes, exigir que eles sejam doces e respeitosos, que vistam camisas e saiam caminhando silenciosamente, que peçam "por favor" para algo ser revertido, sobretudo quando se trata de um povo tão massacrado pela corrupção e pela falta de decência e honestidade dos políticos, bem como pela falta de condições dignas de sobrevivência. Vai ver o aumento da passagem é o pingo d'água que faltava para o copo da tolerância transbordar.

De fato a generalização é burra. Mas é burra para ambos os lados, e quando digo ou insinuo, que quem crítica é porque é alienado, também estou generalizando, e logo sendo burro. Não, o aumento da passagem não é a gota d’água, mesmo porque logo, logo passa e mais uma vez virá o carnaval que no caso de Recife e Olinda expulsa parte da população de suas casas. Virá a Copa do Mundo que nos trará alguns feriados para resolver o que o governo se omite. Virão mais bolsas qualquer coisa para fomentar a candidatura de alguns, virão milhares de empregos em órgãos públicos aparelhados e ideologizados. Mesmo porque não vemos muitos com coragem a protestar contra os desmandos dos governos em todas as esferas, nem mesmo do Ministério Público que por obrigação deveria labutar sempre contra esses desmandos.

E)    É fácil criticar manifestantes e chamá-los de vândalos quando o cidadão chega de um dia de trabalho pilotando um carro com ar condicionado, tem comida na mesa, pode pagar seu plano de saúde e, no dia seguinte, não terá que acordar de madrugada para novamente se submeter ao falido sistema transporte público brasileiro.

Nesse item queria usar uma frase meio chula, mas bastante popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Gostaria muito de saber o que os intelectuais a favor do povo que se envolvem nesse protesto, apoiam as invasões de terra de indígenas e apoiam os MSTs da vida, achariam de ter seus apartamentos em Boa Viagem, Copacabana, Morumbi, Ponta Verde, citando locais que conheço, invadidos e socializados? É diferente? Porque? Essas áreas originariamente eram ocupadas por caiçaras.

A praia deveria ser um local público, mas as mansões dos prédios residenciais a beira-mar impedem festas populares porque isso gera muito barulho e os incomoda, quem lhes deu o direito de privatizar suas praias. O que diriam se suas residências em Gravatá, Porto de Galinhas, Serrambi e Tamandaré que ficam a maior parte do ano fechadas fossem invadidas e usadas por aqueles que perderam tudo na enchente? Eu pessoalmente pago meus impostos (metade do que recebo), e tenho que pagar por saúde, educação, segurança e sem ser sustentado por ninguém, nem ter emprego público.

F)    A polícia também pratica excessos e abusos como se pode verificar em várias imagens que a imprensa tradicional normalmente não mostra por motivos óbvios e que dispensam maiores comentários.

De fato. Num tumulto não há como não serem cometidos abusos de parte a parte, só não entendo em que uma bordoada de cassetete é diferente de uma pedrada na cabeça.

G)    Grandes conquistas são obtidas com grandes lutas. Se hoje você tem direitos que considera óbvios, saiba que muita gente saiu da zona de conforto e até derramou sangue para isso.

Se formos buscar na história, considerando países democráticos, as maiores conquistas foram com manifestações que começaram individuais e silenciosas, na sua maioria pacíficas, vide a história de Rose Parks, de Martin Luther King, Ghandi, Thich Quang Duc. Não podemos confundir protesto legítimo com atos terroristas.

Essa ideologia de que quem tem alguma posse é por isso desde já culpado, me lembra certa feita em que trafegando aqui na cidade, por pouco não atropelei um menino que noite estava quase invisível, por ser de pele escura e estar trajando uma roupa escura, graças a Deus, para o meu bem e principalmente dele vinha devagar e consegui parar. Ao me dirigir a sua mãe que estava do outro lado da rua e dizer:

– Minha senhora não se deixa uma criança pequena atravessar a rua sozinha.

Ouvi de volta um sonoro berro cheio de ódio

– Voces – se referindo a mim – tem é que morrer seus pestes.

Virei inimigo daquela mulher só por ter um carro. Até entendo que pessoas que são espoliadas a vida toda tenham algum sentimento deste tipo. O que não entendo é que pessoas que tiveram privilégio ou oportunidade de ascender achem que o caminho que solucionará o mundo venha de fomentar esse ódio, mesmo porque a história já provou que os que hoje me odeiam, amanhã te odiarão facilmente, basta que em algum momento você diga não.