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Economista, Administrador, Analista de Sistemas e Pensador (forcei). Meu suporte está em Deus que me elegeu na eternidade como Seu filho sem nenhum mérito para mim, na minha esposa Verônica e meus filhos, os manos Accete, Raphael, Philipi e Victor. Amo a Deus sobre tudo. Mas não posso esquecer que sou Flamengo e tenho duas negas chamadas Penelope e Joaquina, a galega doida Lara Croft e a mulambo de estopa, Cocada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Para qualquer problema, põe um quebra-molas


Tinha uma tia que já faleceu há alguns anos, e como a família de minha mãe era muito grande, foram 11 irmãos, essa minha tia tinha idade de ser minha avó. Era conhecida na família como Mãe Velha, mesmo por ter ajudado a criar alguns de seus irmãos sendo ela uma das mais velhas da turma, tia Maria Haydê. Lembro que ela nos colocava no colo e ficávamos sendo jogados para cima sempre com mesmo refrão, "menino novinho da mãe velha".

Reza uma das lendas familiares que Mãe Velha tinha um medicamento que era aplicado em quase todas as situações. Da mesma forma que o Bombrill tem 1001 utilidades o Vicky Vaporub servia para senão 1001, pelo menos mais de uma dezena de problemas.

Saudades da infância.

Mas indo de encontro ao título deste post, temos na alma brasileira de fato um conceito de que a solução dos problemas sempre é por um quebra-molas para resolver qualquer tipo de problema.

Primeiro tratando o próprio, se não conseguimos punir o sujeito que corre demais, pomos uma lombada, em geral construída de forma a punir igualmente quem passar a 30 km/h ou a 100 km/h naquele local, e na prática serve apenas aqueles 50 a 100 m antes e depois dele.

Existe um artigo de Bob Sharp onde ele diz que o quebra-mola “É um recurso burro e antinatural para reduzir a velocidade do tráfego”. 

Tem se tornado no Brasil recorrente a idéia de que o aumento de penas ou banimento de certas coisas é a solução para a situação. Lembro de ter há muito tempo atrás ouvido de um jurista famoso, cearense, falecido em 2010, Armando Ribeiro Falcão, que havia sido ministro da justiça no Governo Geisel que o que impele o potencial criminoso a não cometer o delito, não é o tamanho da pena e sim a certeza de punibilidade.

Hoje no Brasil virou moda aumentar a pena de tudo como se isso resolvesse por mágica o problema. A questão é que se cria distorções entre penas, onde matar uma pessoa é um crime que tem fiança e talvez xingar essa mesma pessoa não tenha. Dar um tiro pode ser mais negócio do que atropelar. E a piadinha já há muito conhecida que diz que é melhor matar o fiscal do Ibama do que a onça. Muito dessa onda tem a ver com uma coisa chamada ditadura da minoria, mas isso merece um post a parte.

Nos atendo a questão principal aqui, vemos cada vez mais essa idéia do tamanho da pena ser aplicada. Caso da questão de beber e dirigir. Olhe que não bebo, por opção mesmo, mas quem é mais perigoso um bêbado a 20 km/h ou um sóbrio a 100 km/h dentro da cidade? Certamente o segundo, mas esse dificilmente será pego, e se pego terá uma pena menor do que aquele outro. Não sei, mas vejo algo errado nessa medida de punição. E outro grande problema é que se pune pesadamente um entre milhares, óbvio que esse punido enquanto infrator não pode reclamar, mas o que ressalto aqui é que se não houver uma maior convicção de todos de que tem boas chances de serem pegos, nada mudará.

A questão do momento agora é a morte do joven torcedor do San José, de Oruro na Bolívia. Volta a questão da torcida organizada ser banida em todos os estádios, olhe que mais uma vez estou fora, não pertenço nem nunca pertenci a nenhuma torcida organizada, mas não enxergo que a solução seja essa. Fiscalizar, colocar câmeras e identificando os brigões, estes sendo proibidos de frequentar estádios já resolveria e não fazer aquela humilhante revista na entrada de estádios em todos os torcedores.

Aliás esse é um capítulo a parte, a polícia brasileira em geral age no esquema binário das forças armadas quando em guerra, usa a mesma farda que eu, é meu amigo, não usa a mesma farda é meu inimigo. A polícia brasileira não tem a menor noção que a sua função é proteger o cidadão de bem e não matar o bandido. Ela em geral age com o objetivo de destruir o inimigo e se para isso alguns inocentes morrerem, é apenas um efeito colateral aceitável.

Se a sociedade brasileira não entender que o problema não é  o tamanho da pena, e sim a certeza de impunidade, nada mudará, nada melhorará. Quem comete crime, em qualquer idade, classe social, independente de raça, cor, formação e poder econômico deve ser punido e aí não precisaremos mais usar a expressão punido exemplarmente, já que os exemplos serão tantos que tornarão a prática de um delito qualquer que seja algo a se pensar duas, tres, quatro .... vezes antes de ser cometido.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Generacion Y - Quem tem medo da palavra?





Venho criticando a ação de alguns vigaristas intelectuais na rede recentemente simplesmente por defender que a liberdade de expressão vale para todos, mesmo que eu não concorde com ele, e que cercear essa liberdade por qualquer meio que seja e por qualquer motivação é um ato hediondo, fascista e perigoso a democracia.

Nem conhecia a tal de Yoani, nunca tinha lido o blog dela e de fato pouco tenho me interessado por este "paraíso" socialista chamado Cuba.

Mas o medo que essa turma vermelhinha tem das palavras é um sintoma grave de inanição intelectual das chamadas bases e de estelionato intelectual "dazelites" dos partidos ditos de esquerda. Os quais a maioria sequer sabe da origem da expressão direita e esquerda e o quanto anacrônica é esta classificação hoje.

Sou simpático a algumas questões socialistas por princípios, e acho tolas e utópicas outras, algumas justas outras injustas, mas vejo que, de fato, nenhuma experiência socialista ou comunista, como queiram chamar, no mundo inteiro, promoveu um benefício duradouro ao povo que foi submetido a esse experiência.

No entanto não vejo e nunca vi como socialistas figuras com Stalin, Lenin, Hoxha, irmõas Castro, Chavez, Morales e Lula. Para mim são apenas caudilhos aproveitadores e tão perigosos quanto os Mugabi, Mussolini, Hitler, Kadafi, Videla, Idi Amim, e Medici.

Para quem quer tentar achar algo na doce pessoa de Yoani,que eu conheci agora, para gerar tanto ódio,  o link do blog dela está logo aí abaixo.

Cada vez fica mais claro que o grito em qualquer situação é arma do covarde sem base para um único argumento que seja.

Sei disso por experiência pessoal, em minha vida profissional e pessoal já ouvi por mais de uma vez a reclamação de alguém que estava chateado comigo simplesmente porque eu argumentava bem em defesa das minhas idéias e isso deixava a pessoa constrangida por não saber argumentar. Desculpem-me mas isso não passa de indigência mental.

Ou como costuma dizer uma amiga, Vera Medeiros, jornalista responsável pelo Blog Folha do São Francisco, nós que pensamos não podemos ser culpados de alguns estarem na classificação de sub-ótimos.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Protesto a Yoani, nada mais do que uma vigarice intelectual.




Uma das maiores vigarices pseudo intelectuais é, ao não termos argumentos passarmos a desqualificar o nosso interlocutor, como se mesmo a maior desqualificação, mesmo que verdadeira, que motivações escusas, alterassem os fatos tornando-os de verdadeiros em falsos.

Outra grande vigarice é comparar erros como se um anulasse o outro. Justificar nossas ações baseadas em acusações a terceiros é de uma hipocrisia absurda.

Mas, ainda pior do que isso é ver a defesa de que os fins justificam os meios, jogando isso na conta de culpa de Maquiavel, o que é ainda mais um sofisma, já que ele nunca disse isso.

E ainda constatar que tem uma montanha de idiotizados intelectualmente que só sabem proferir bordões de defesas ideológicas completamente anacrônicas sem se aperceber que são exatamente aquilo que Marx chamava de Massa de Manobra . 

E essa vigarice é mais deplorável ainda quando orquestrada de forma bisonha por uma arremedo de movimento que um dia já foi defensor da liberdade de expressão, e hoje se arvora em ter poderes messiânicos "inquestionáveis",  que os permite dizer a todos o que pode e o que não pode.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mas voce já fez isso antes






Existe um comportamento arraigado na alma do brasileiro que talvez não seja a grande causa de nossa miséria como país no quesito social, certamente não é a única, mas definitivamente muito contribui para as desigualdades e injustiças e impunidade no país.

Estou falando de algo que chamarei de Teoria da Justificação do Revide Social. O nome pomposo é para chamar a atenção mesmo.

Nós temos o hábito de defender nossas causas quase sempre como se estivéssemos num jogo de futebol onde O importante é apenas vencer. Quantas e quantas vezes ao termos o “nosso” lado acusado de se beneficiar de algo rebatemos sempre com a argumentação de que o “outro” lado fez o mesmo, ou ainda, fez pior. Sempre agindo como se a caracterização de um erro anterior, punido ou não, coibido ou não, justificasse que o “nosso” erro também deva ser tratado com condescendência.

Essa cultura que justifica o nosso erro em função do erro dos outros permeia de tal forma o tecido social brasileiro, como um câncer oculto, mas que corrói qualquer possibilidade de sairmos de um atoleiro onde cada vez mais expertos manipulam tudo.

Quando circunscrito ao futebol, pode ainda guardar algo de pitoresco entre torcedores apaixonados, mesmo que não concorde mesmo nesses  casos com as alegações  “que todo mundo faz".

Lembro de certa feita em que por pouco não atropelei um garotinho que atravessou a estrada a noite com roupas escuras de forma que só o percebi em cima, ao parar o carro me dirigi a mãe dele que estava do outro lado da rua o chamando, por isso ele atravessou, e disse a ela: - Minha senhora não deixe uma criança desse tamanho atravessar a rua sozinha. Recebi dela um sonoro grito: - Seus pestes, vocês tem é que morrer. Pois é, na cultura do Revide Social Justificado, está plenamente claro que ela pode me agredir porque um dia em algum momento foi agredida, física, moral ou socialmente por alguém.

Quando a violência nos atinge na cara, num assalto, numa agressão, estupro, por atingir a nós mesmos, a um parente ou a um amigo, de pronto nos ouriçamos e queremos justiça, porém nos esquecemos que este autor da violência pode plenamente justificar seu ato baseado naquilo que entendemos como justo pela teoria da justificativa do revide social.

Acham que estou exagerando. Não se enganem, os mesmas sofismas que defendem a impunidade de políticos porque os antecessores deles fizeram o mesmo ou pior, é a mesma lógica aplicada pelo bandido da esquina da sua casa, pelo torcedor violento, pelo flanelinha que riscará seu carro se você não paga-lo.

Mas me incomoda ainda mais considerar que nas camadas mais incultas da população pode até ser compreensível, falei compreensível, não tolerável, essa postura, mas ao ver o mesmo comportamento nas camadas sociais mais abastadas, que tiveram e tem acesso a formação superior, a cultura, o mesmo comportamento, enxergar que tais atitudes beiram a um cinismo sem tamanho.

Não estou defendendo ideologias político partidárias, mas a política do roubou, mas roubou menos que o anterior, ou roubou mas fez, ou ainda corrompeu mas foi por um bem maior, não creio que possa ser defensável por ninguém que preze o mínimo de caráter pessoal. Não se conquista cidadania com atitudes de torcedor apaixonado por futebol.

Se o anterior era corrupto que lutemos por sua punição, mas isso não dá a Justificativa do Revide Social ao atual de ser corrupto também, independente de mais ou menos corrupto, se é que existe isso. Pelo menos para mim honestidade, integridade, são como gravidez, onde você está ou não está gravida. Não existe uma mais honesto ou menos honesto, não existe um mais íntegro ou menos íntegro, como não existe um mais ladrão ou menos ladrão.

Se não assimilarmos a ideia que o erro de outrem não pode ser a explicação nem mesmo a justificativa de outro erro continuaremos vivendo em uma faroeste caboclo sem fim, onde tragédias como a de Santa Maria no Rio Grande do Sul, nada mais são do que reflexo das impunidades de tragédias menores anteriores. Longe de não sentir a dor daquelas famílias, lembro que morrem mais de 100 vezes aquele número de jovens todos os anos no Brasil assassinados e para cada um deles existe certamente a mesma explicação da justificativa do revide social. Não se engane, a sua atitude de furar a fila por que outros já fizeram isso com você, segue a mesma lógica e na prática é tão perniciosa quanto a atitude do empregado que engana o patrão porque ganha menos do que acha justo, do que a o patrão que não paga um salário digno porque ali fora tem um monte de gente desesperada pela mesma vaga, que a do guri que rouba um celular porque sua família nunca vai poder lhe comprar um, e no presidente que frauda, corrompe em nome de um messianismo e ao mesmo tempo quer encobrir seus atos apontando o erro de anteriores.

Como disse acima, imploro que não sejamos os cínicos que sabem o que é o certo, mas nos contentamos quer seja por interesses pessoais, ideologias, bairrismo ou o que seja defensores da Teoria da Justificativa do Revide Social.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O imbecil, O idiota e o direito individual.



Como diria Galvão: "É amigos da Rede Globo" nosso país ainda precisa ter um povo bem mais evoluído.

Dia 13/11/2012, cerca de 19:00, vôo Avianca 6310 de São Paulo para Petrolina, com escalas em Salvador e Recife, o ocorrido se deu na escala de Salvador.

Um resumo rápido para todos entenderem, teve um vôo da Avianca que seria Campo Grande - Brasília - Salvador, que por conveniencia da conpanhia virou Campo Grande - Brasília - Ilhéus - Salvador. Este vôo sofreu uma pane em Ilhéus e fez muita gente perder as conexões em Salvador. Revolta justificada de todos. Os passageiros foram encaixados no nosso vôo o 6310 que vinha de São Paulo para Petrolina/PE

Mas chegando ao fato que quero comentar como ilustração de como nós ZP ainda precisamos nos educar e muito, na hora do embarque do pessoal em Salvador foi um salve-se quem puder, e um rapaz sentou numa cadeira que não era sua, a 9A. O passageiro que tinha direito a 9A, foi sentar-se a 9K. Ao chegar a passageira que tinha direito a poltrona 9K,  e pedir a desocupação, ambos foram jocosos, mal-educados dando como justificativa o cansaço e a forma como foram tratados pela companhia, a senhora com toda razão também ficou irritada e fazia questão do seu assento. A tripulação covardemente fez que não era com eles, só tentando intervir quando a confusão já rolava a quase 15 minutos. 

A essa altura pipocavam gracinhas tipo: "a cadeira é da senhora? leva para casa." e aí é que eu quero tecer meus comentários sobre o ZP. A justificava de ZP para sua atitude era estamos cansados, etc e tal.

O que eu, da minha poltrona selecionada e sentado desde de São Paulo, faço a seguinte leitura. Precisamos aprender muito ainda sobre cidadania. Aquela senhora estava certa. Criou-se uma idéia equivocada que Democracia é a ditadura da maioria sobre a minoria. Me perdoem os imbecis de plantão, mas voces estão enganados, não é nada disso.

A força da democracia nos países que podem realmente bater no peito e se proclamarem democráticos tem muito a ver isso sim com o respeito aos direitos individuais, o berço da democracia moderna, (aprenda meu amiguinho que pensa que é culto) pouco tem a ver com a democracia greco-romana, mesmo porque a democracia lá era para poucos,  e muito a ver com os movimentos libertários da idade média inlcuindo a reforma protestante, o renascentismo e o iluminismo entre ele. 

O fato da maioria achar alguma coisa e por isso definitivamente ser a verdade, tem mais a ver com as ditaduras do que com democracia. Uma ditadura popular é assim mesmo uma ditadura, pensamento que aliás precisa ser aprendido pela maioria dos petistas. Isso na verdade aconteceu na maioria das revoltas que deram origem aos regimes totalitários e de exceção.

Mas o foco aqui é outro.

Usar a justificativa da revolta contra a companhia para espoliar aquela senhora de seu direito é reflexo de como o ZP pensa, primeiro eu, sempre, achando que assim está levando vantagem. Ao mal educado R...., ele não merece ter seu nome aqui divulgado e ficar famoso, junto com seus tres outros amiguinhos igualmente mal educados, digo que voce nada mais é do que um mané, no pior sentido da palavra, visto que onde voce pensa que foi o Gérson, demonstra apenas como nós todos somos passados para trás por vários Gérsons mais poderosos.

Nós, ZP, precisamos entender que o direito individual deve ser respeitado e garantido, só existe sociedade democrática onde a lei e o direito são garantidos.

Quanto aos fatos no vôo Campo Grande a Salvador, digo que, apesar de ser uma fã e cliente recorrente da Avianca, se ela fez o que disseram, a processem, reclamem na ANAC e exijam seus direitos, achar que expoliar os outros é a maneira de resolver nossos prejuízos é o caminho que os poderosos pilhadores preferem em que nós ZP andemos.

Lembro de um dia em que me livrei de atropelar um garotinho em Juazeiro/BA voltando do trabalho e ao frenar e pedir a mulher que acompanhava o garoto, de seus 5 anos que, tivesse mais cuidado ouvi um grito sonoro em minha direção: "Voces tem é que morrer seus pestes". 

Eu nunca tinha visto aquela mulher na vida e certamente nada tenho a ver com a situação miserável dela, já que ao contrário do ZP que estava no voo 6310, em sua maioria, eu já entendi a muito tempo que nada me adianta descontar minhas revoltas pela espoliação que sofro, nos outros que nada tem a ver com o assunto.

Pena que ainda precisemos crescer muito como cidadãos para que possamos um dia efetivamente construir um país em que todos ajam respeitosamente.

Se alguém conseguir equivocadamente achar algo nessas linhas que remetam ao elitismo, posso apenas dizer que voce tem uma boa chance de ser um ZP.

Ah! ZP? É Zé Povinho.


domingo, 28 de outubro de 2012

Marcos Assunção, Lewandovski e o Mensalão.

A atitude do brasileiro no futebol tem muito a nos ajudar a entender porque somos tão corruptos.


Neste sábado assiti um pouco do jogo do Palmeiras contra o Internacional no Beira-Rio que teve o resultado final em 2 a 1 para o Internacional piorando ainda mais a situação do Palmeiras no campeonato Brasileiro de 2012, onde ele segue com enormes chances de voltar a série B mais uma vez.

Mas não quero falar exatamente de futebol aqui. Para isso uso o blog Urubulando mas sim de uma frase que ouvi no final do jogo, salvo engano proferida pelo Marcos Assunção a qual me chamou a atenção para a forma como o Brasileiro enxerga a ética e a moral e o elo disso sobre algumas colocações que temos visto no julgamento do mensalão.

Para os não ligados em futebol comento o lance de jogo ao qual o jogador do Palmeiras se refere, lá pelo meio do segundo tempo, partida já em 2 a 1 para o Inter, num cruzamento, Barcos, o Pirata, sobe para cabecear num bolo de jogadores e toca visivelmente com a mão para o gol, que seria o gol de empate, e na situação do Palmeiras faria uma enorme diferença. Bem, no primeiro momento o juiz dá o gol, para em seguida alertado por alguém anular. Confusão estabelecida.

Ao final do jogo numa entrevista o jogador do Palmeiras reclama do lance, e ao receber a informação do repórter de que tinha sido gol de mão mesmo, ele sai com uma pérola, foi mas o juiz não podia ter anulado porque quem alertou ele foi o delegado do jogo e aí não pode.

Fora as discussões futebolísticas quase sempre irracionais e apaixonadas me assusta a desfaçatez embutida na afirmação do jogador do Palmeiras e como isso se refletiu de forma similar em muitos momentos da história do mensalão. 

Não vemos uma preocupação com a punição do ilícito, e de agir de forma limpa e transparente, mas sim com as filigranas jurídicas que tem que ser atendidas. A afirmação do jogador do Palmeiras em essência é a mesma da turma do PT no início do mensalão ao defini-lo como caixa 2 e posteriormente justificarem-se dizendo cinicamente: "Todo mundo faz".  Durante o julgamento sua excelência ministro Lewandovski saiu com outra pérola: "O testemunho de um acusado não pode ser usado como certeza", não foi um depoimento, foram vários que corroboraram com a afirmação de que o José Dirceu comandava tudo, mas não, longe da obviedade de que Delubinho jamais montaria um esquema desse por sua conta, se amarrou a não existir um recibo assinado, para defender a inocência do mesmo, segundo ele próprio em achava que existia , mas não tinha como provar, e assim absolvia o rapaz. Esta semana ele mais uma vez estava preocupadíssimo com as penas impostas estarem sendo muito pesadas, o que implicaria em reclusão para os condenados.

Assim infelizmente funciona a mente do brasileiro em relação a ética e a moral, quando é de nosso interesse não nos preocupamos com o fato ilícito em si, e sim se ele seguiu os trâmites legais, para que encontremos uma forma de nos beneficiarmos ou aos que nos interessam.

Nem de longe defendo que as coisas devam ser julgadas ao arrepio da lei, muito pelo contrário, mas usar todas as brechas possíveis para isentar os culpados, mesmo que todos os demais fatos deponham em contrário a mim sugere um grave problema da forma de pensar do brasileiro, onde a ética e a moral deve ser aplicada aos outros e não a mim ou aos nossos, quando nos interessar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Bons ventos ... Que continuem a soprar.




Vamos combinar uma coisa. Voce tem todo direito de continuar com o papo de que nada mudou, mas sinceramente, hoje, eu sinto um pouco de orgulho de ser brasileiro.

Não, o nosso país ainda não é nenhum líder mundial, ainda é um país de desigualdades, há muito a ser feito, mas pela primeira vez na história desse país (desculpem mas não resisti) a nobreza foi alcançada pelo braço da justiça.

Tá certo, tudo bem, ainda faltam as penas, e a dúvida que alguns deles realmente passem pelo menos seis meses na cadeia, mas ficar repetindo que não adiantou de nada, que nada aconteceu, a mim parece conversa de quem realmente preferia que nada tivesse acontecido a essa turma de bandidos, assaltantes, mentirosos, manipuladores que agora o STF ratificou o que todos já sabiam.

Foi, era, é uma quadrilha sim. Bandidos agindo da pior forma possível. Travestidos em pais dos pobres, se locupletaram do pior que o poder pode oferecer e em nome de uma auto definição como semi-deuses, pairando acima do bem e do mal, se associaram para roubar a pátria mãe gentil em tenebrosas transações.

Com a devida vênia (não resisti mais uma vez) querer atribuir a decisão histórica, HISTÓRICA sim, a uma revanche das zelites é de uma desfaçatez, de um cinismo sem tamanho. Não se julgou passado, mesmo que duvidoso, e sim um presente realisticamente sujo.

Ao mesmo tempo que basear argumentos de defesa na falta de um recibo assinado é uma tosca tentativa de chamar-nos a todos de idiotas, coisa aliás que essa corja tentou fazer ao longo dos últimos 8 anos.

Tenho que dizer que foi um prazer sem tamanho ouvir em vários momentos, ontem foi o ápice, os ministros Celso de Melo e Marco Aurélio sapatearem verbalmente, com toda a vênia, em cima de alguns defensores da bandalheira, desmascarando aqueles que tentavam de alguma forma esconder e torcer a mais óbvia verdade.

Aquele se intitulava o novo pai dos pobres, tinha abaixo de si, uma quadrilha, um bando, formado por seus amigos aos quais ele imputava toda confiança.


Certamente alguns nomes ficaram de fora, infelizmente, o próprio ex-presidente, para mim, culpado. É impossível ter deixado a época da inocência, quando ainda acreditávamos em Papai Noel, e crermos que ele nada sabia, de nada participou e de nada se aproveitou. Da mesma forma é mais fácil acreditar em ETs do que imaginar que tudo aconteceu apenas por acreditarem em seus planos políticos de implantar uma republiqueta a la Chavez aqui. 


Corrupto, pensa primeiramente em si mesmo, essa sim é mais pura verdade.

Se voce prefere acordar hoje com síndrome de cachorro vira-lata, problema seu, mas eu acordei bastante mais satisfeito de ser brasileiro, aquele que não desiste nunca, e que teve uma prova ontem de  que a justiça consegue alcançar as zelites do crime.

E Ali Babá, não pense que continua impune entregando o bando de 40 ladrões, seu julgamento já começa a ser dado pela história, e numa atitude sim de revanchismo, espero sinceramente que o senhor ainda viva muito para ver seu ostracismo, como nunca antes se viu nesse país.

Concluo dando meus parabéns a vossas excelências ministros Carlos Ayres de Brito, Celso de Melo, Marco Aurélio de Mello, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Joaquim Barbosa, que deram ontem um exemplo que esperemos seja marcante e seguido por toda uma nova geração de brasileiros.